Criopreservação: a importância da preservação das células

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criopreservação é uma técnica que usa o congelamento através de temperaturas muito baixas para preservar materiais biológicos, como células e tecidos. A temperatura pode chegar até 196°C negativos (ponto de ebulição do nitrogénio líquido). Isso faz com que a atividade biológica pare, incluindo as reações que levam à morte celular e à degradação do DNA.

Quando realizada corretamente, a criopreservação pode ser uma fonte de tecidos e células vivas geneticamente estáveis ​​para uma variedade de propósitos, incluindo pesquisas, biologia e medicina.

Um de seus usos mais frequentes é, sem dúvida, na área de reprodução humana, com congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões. Outra área que ganhou muita importância foi a criopreservação do sangue de cordão umbilical. Não podemos deixar de mencionar ainda a sua aplicação na atividade agrícola. Confira nessa publicação, algumas das aplicações da técnica de criopreservação.

Aplicações da criopreservação

Reprodução Humana

Uma das aplicações mais comuns da criopreservação são em clínicas de fertilização. Muitos homens e mulheres, e por vezes o casal, tem dificuldades para ter filhos naturalmente ou buscam o controle da fertilidade. Assim, espermatozoides, óvulos e embriões podem ser congelados pensando numa gestação futura. Em casos mais críticos, como em um tratamento para o câncer, a fertilidade pode ser comprometida, sendo indicado a criopreservação dos gametas.

O mesmo princípio já é aplicado também para animais. Linhagens com dificuldades para se reproduzir, podem ser beneficiadas.

Criopreservação de esperma

A criopreservação de esperma é utilizada desde os anos 40. A técnica é recomendada para pacientes que desejam ser submetidos à vasectomia, objetivando preservar a fertilidade futura.

Também indicada para homens que desenvolveram alguma condição patológica que eventualmente podem torná-los estéreis, como o câncer. O esperma pode ser coletado antes do início do tratamento (radioterapia ou quimioterapia), assegurando a integridade dos espermatozoides.

Os bancos de esperma são um recurso importante para ajudar casais cujo homem é estéril, mulheres solteiras ou até mesmo casais homossexuais que desejam ter um filho.

Óvulos congelados

Um grande avanço revolucionou a prática de doação de óvulos. Até alguns anos atrás, a medicina não havia conseguido fazer com que os óvulos captados do corpo da mulher sobrevivessem após seu congelamento. Hoje eles podem ser guardados da mesma maneira que os espermatozoides, por muitos anos.

Congelar óvulos tem sido uma opção para as mulheres adiarem os planos de gravidez com mais segurança, já que os riscos da infertilidade por maternidade tardia estão principalmente associados à qualidade dessas células, que envelhecem rapidamente.

Assim como no caso de preservação de esperma, também podem ser doados para realizar o desejo de outros casais terem filhos e para preservar a fertilidade em casos de tratamentos como o câncer.

Criopreservação de embriões

O procedimento é realizado quando existem embriões excedentes e de boa qualidade após uma tentativa de fertilização in vitro ou fertilização in vitro com micromanipulação de gametas. É possível realizar uma avaliação melhor destes embriões e identificar aqueles com alto potencial de desenvolvimento e implantação e até mesmo diminuir as chances de uma gravidez múltipla.

Cordão umbilical – células tronco

As células-tronco ou células estaminais são células que não possuem uma especialização funcional. Elas têm a capacidade de se regenerar e se dividir infinitamente. Além de ter a capacidade de produzir cópias de si mesmas, podem originar células especializadas (diferenciadas) para qualquer órgão ou tecido do corpo, transformando-se em células nervosas, cardíacas, do sangue etc.

As células tronco do sangue do cordão umbilical têm uma grande importância, pois podem ser usadas no tratamento de diversas doenças: oncológicas, deficiências medulares, hemoglobinopatias, imunodeficiências e doenças metabólicas.

Transplante autólogo

No transplante autólogo, ou autotransplante, o paciente recebe a sua própria medula óssea. Antes de começar o tratamento com a quimioterapia, as células tronco hematopoiéticas são coletadas da medula do paciente. As células retiradas são então criopreservadas até a realização do transplante, que acontece logo após o fim da quimioterapia.

Agricultura

Na agricultura a criopreservação é essencial para a conservação das espécies de vegetais e sementes de programas de melhoramento genético, principalmente voltados à alimentação. Diversas espécies são armazenadas em criobancos e garantem a conservação a longo prazo de uma diversidade genética vital para a saúde e segurança alimentar e nutricional, assim como auxilia no melhoramento de muitas espécies agrícolas.

Criopreservação de corpos humanos

Um tema ainda muito polêmico e delicado, a criopreservação de corpos humanos já vem sendo realizada. Parte do mesmo princípio da preservação das células mais simples, buscando preservar o corpo para ser “despertado” no futuro. Essa tecnologia ainda não foi desenvolvida, ou seja, é possível congelar o corpo, mas não se sabe como trazê-lo de volta à vida. Muitos esperam que as tecnologias que virão possam realizar esse feito, já outros acreditam que isso nunca será possível.

 

Armazenamentos das amostras – tubos criogênicos

A criopreservação permite armazenar células por longos períodos. Mas para isso o material biológico precisa receber o tratamento e preparação adequados. Tão importante quanto o protocolo adequado é usar o recipiente certo para o armazenamento, resistente às altas temperaturas.

Normalmente os recipientes utilizados são os tubos criogênicos. Eles têm capacidade de suportar temperaturas extremas, evitando o rompimento do tubo e contaminação das amostras e do meio. A tampa também precisar ter uma excelente vedação, tanto em temperatura ambiente quanto em temperaturas criogênicas.


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