Qual a finalidade dos meios de cultura em microbiologia?

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Os meios de cultura são insumos preparados em laboratórios que fornecem os nutrientes para o crescimento e desenvolvimento de microrganismos (como bactérias e fungos) fora do seu habitat natural. Existe uma variedade enorme destes meios e são utilizados para análises laboratoriais e estudos científicos em diversas áreas, principalmente em alimentos, água, cosméticos e microbiologia clínica.

Além dos nutrientes e condições ambientais favoráveis para esse cultivo, muitos critérios devem ser considerados. Diferentes microrganismos possuem diferentes necessidades, por isso o meio de cultura é adaptado para satisfazer essas necessidades, utilizando nutrientes específicos dependendo do microrganismo de interesse. Além desses fatores, deve ser levado em conta o pH e a quantidade de oxigênio ou mesmo a sua ausência.

 

Classificação dos meios de cultura

Os meios de cultura em microbiologia para o cultivo de bactérias são conhecidos como meios artificiais ou meios sintéticos, pois não ocorrem naturalmente, ou seja, eles são preparados no laboratório. Existem várias maneiras de se classificar os meios de cultura:

Quimicamente definido

Um meio quimicamente definido é aquele no qual todos os constituintes são conhecidos. Uma vez que é preparado no laboratório pela adição de determinada quantidade, em gramas, de cada um dos componentes (carboidratos, aminoácidos, sais).

Complexo

Um meio complexo é aquele no qual a exata constituição não é conhecida. Os meios complexos contêm extratos moídos ou digeridos de órgãos animais (corações, fígados, cérebros), peixes, leveduras, e vegetais. Fornecem os nutrientes, as vitaminas e os minerais necessários.

Sólido

Os meios sólidos são preparados adicionando-se ágar ao meio líquido e posterior colocação em tubos de ensaio ou placas de Petri, onde o meio se solidifica. As bactérias crescem na superfície do meio sólido.

O ágar é um polissacarídio complexo obtido de alga marinha vermelha. Ele é utilizado como agente solidificante, muito semelhante à maneira como a gelatina é utilizada como agente solidificante na culinária.

O Ágar Bacteriológico Kasvi, por exemplo, é um tipo de ágar purificado no qual impurezas, pigmentos e sais foram removidos ou reduzidos ao mínimo. Pode ser utilizado como agente gelificante em meio de cultura bacteriológico ou para determinar motilidade e crescimento de anaeróbios e microaerófilos.

Líquido

Os meios de cultura líquidos, sem agentes solidificantes, são também conhecidos como caldos e seu acondicionamento é feito em tubos de ensaio. São utilizados para ativação das culturas, repiques de microrganismos, provas bioquímicas, dentre outros.

Enriquecido

Contém um grande suprimento de nutrientes que promove o crescimento dos microrganismos fastidiosos. É geralmente preparado pela adição de nutrientes extras a um meio denominado ágar nutriente.

O ágar-sangue (ágar nutriente mais 5% de eritrócitos de carneiro) e o ágar-chocolate (ágar nutriente adicionado de hemoglobina em pó) são exemplos de meios sólidos enriquecidos utilizados rotineiramente nos laboratórios de bacteriologia clínica.

Seletivo

Contém inibidores adicionados que tornam inviável o crescimento de certos microrganismos, sem inibir o crescimento do microrganismo que está sendo pesquisado. Por exemplo, o ágar MacConkey inibe o crescimento de bactérias gram-positivas, selecionando assim, as bactérias gram-negativas.

Diferencial

Permite a distinção dos microrganismos que crescem no referido meio. Por exemplo, o ágar MacConkey é frequentemente utilizado para diferenciar vários bacilos gram-negativos isolados de amostras de fezes. O ágar manitol salgado é utilizado para caracterizar o Staphylococcus aureus. O S. aureus não apenas cresce neste meio, mas também converte a cor do meio originalmente rosa em amarelo, em razão da sua capacidade de fermentar o manitol.

Os vários tipos de meios (enriquecido, seletivo, diferencial) não são mutuamente exclusivos. Por exemplo, como acabamos de ver, o ágar MacConkey é tanto seletivo como diferencial.

Inoculação de Meios de Cultura

Nos laboratórios de microbiologia clínica, os meios de cultura são rotineiramente inoculados com amostras clínicas (amostras que foram coletadas de pacientes com suspeita de doença infecciosa).

A inoculação de um meio líquido envolve a adição de uma parte da amostra ao meio. A inoculação de um meio sólido ou meio em placa envolve a utilização de uma alça de inoculação estéril para a aplicação de uma parte da amostra à superfície do meio. Esse processo é conhecido como semeadura em estrias.


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